A cidade de Ndalatando, na província do Cuanza Norte, acolhe hoje, 08/1, o acto central do Dia Nacional da Cultura, onde o ministro do sector, Filipe Zau, vai visitar locais históricos, feiras de arte e gastronomia, shows de música, dança, conferências bem como participar de homenagens de algumas figuras nacionais.
António André
O evento aconteceu sob o lema “Cultura Nacional: Identidade, União e Crescimento Saudável”, e foi realizado pelo Ministério da Cultura, no Cuanza Norte, cuja cidade, será transformada num centro cultural com celebrações que valorizem não só a cultura nacional como também a história local.
Apuramos a conferência que vai acontecer no cine Ndalatando e serão discutidos temas ligados ao desenvolvimento cultural e histórico da região, os quais têm como objectivo fazer daquela cidade um “celeiro cultural”, isto é, destacando a importância da efeméride para o desenvolvimento cultural, histórico e social do país.
O portal Marimba Selutu conversou com alguns estudantes do ensino médio a fim de ouvir as suas opiniões sobre a efeméride em causa e constatou-se que a maior parte deles desconhece a importância da data. Apesar dos esforços do ministério de tutela e dos directores municipais da cultura, há ainda muitos desafios a enfrentar sobretudo os que dizem respeito à divulgação e consciencialização da data. Por um lado.
Por outro, do mesmo modo, também alguns estudantes universitários bem como professores, desconhecem o significado do Dia Nacional da Cultura, apontando para a necessidade de uma maior promoção e educação cultural da parte das autoridades governamentais.
Assim, João Diangongo esclarece que nunca ouviu nada a respeito sobre o Dia Nacional da Cultura, “gosto de assistir teatro e espectáculos musicais, mas não sei que no país existe um Dia Nacional da Cultura. Se temos, não se realizam grandes actividades culturais, como acontece no Brasil ou até mesmo na Namíbia. Uma data sobre a Cultura Nacional não pode passar despercebida”, lamenta, tendo acrescentado, que “nas nossas escolas não se realizam actividades culturais.
Os professores nas suas aulas demonstram não terem conhecimento sobre a data e das várias diversidades culturais, pois se tivessem sido informados, acredito que a maior parte dos alunos tomaria conhecimento a respeito. Pois, até os jornalistas divulgam a efeméride somente no próprio dia, e, depois disso, já não se fala nada em prol da mesma,” refere.
Em seguida, Neusa Martins considera que até os próprios fazedores culturais desconhecem a data, pois se a tivessem conhecido, as várias associações culturais deveriam promover actividades para marcar a efeméride. Entretanto, lamento que as agremiações culturais de Angola, como a União dos Escritores Angolanos (UEA) não realizem nenhuma actividade em prol do dia nacional da cultura.
Ademais, os directores municipais da cultura, que recebem dinheiro público para tal, nada ou pouco fazem a respeito. Nunca vi em Angola alguma administração a promover actividades culturais nas escolas para celebrar a data. Nem o Ministério da Cultura realiza actividades de grande vulto, ficam apenas nos discursos políticos, fazem algumas visitas em locais históricos que eles conhecem e não trazem nada de novo para inovar,” disse.
Acredita, o titular da pasta da cultura, “não tem sabido fazer o seu trabalho. Pois, o senhor ministro deveria conceber actividades culturais ligadas a todas as artes, e tudo isto devia acontecer a partir do mês de Dezembro e terminar em Janeiro, para que a data fosse mais conhecida. Pois, com os discursos políticos vamos apenas continuar a desconhecer a existência da data,” alerta.
Unidade Nacional
A cultura é um factor de unidade, daí que se deve apoiar financeiramente os seus fazedores. A data de hoje serve como um momento de reflexão sobre a importância da cultura na construção da identidade angolana e reforça o compromisso de todos na preservação e promoção das diversas manifestações culturais que compõem o rico mosaico étnico de Angola.
A cultura angolana é crucial para a construção da identidade nacional, unidade social e para o desenvolvimento do país, sendo um reflexo da sua rica diversidade étnica e da influência portuguesa, nas mais diversas manifestações culturais, como na música, dança, teatro, progresso e na afirmação de Angola e no cenário global.
A data foi instituída tendo como referência o discurso sobre a cultura nacional proferido em 1979, pelo primeiro presidente da então República Popular de Angola, Agostinho Neto, durante a tomada de posse dos primeiros corpos gerentes da União dos Escritores Angolanos. Na ocasião, o também poeta passou a ser referência fundamental em todas as discussões sobre a temática da cultura no país.
Num excerto do discurso proferido, considerou que, “ a cultura não pode se inscrever no chauvinismo, nem pretende evitar o dinamismo da vida. A cultura evolui com as condições materiais, e, em cada etapa, corresponde a uma forma de expressão de concretização de actos materiais”, enfatizando a soberania do país.
Este entendimento visionário consolidou-se como pilar das políticas culturais angolanas e continua a inspirar as celebrações do Dia Nacional da Cultura, reafirmando a importância de uma cultura inclusiva e em constante evolução.




































