Uma investidura sem expressão cultural – Fernando Guelengue

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João Lourenço, assumiu o segundo mandato no meio de várias contestações populares e da oposição. Foto: DR
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O dia 15 de Setembro entra na história dos angolanos por ser a data em que os cidadãos poderão se lembrar de um “vencedor” que não teve tanta expressão na sua tomada de posse, mesmo com o decretar da tolerância de ponto.

Talvez a “elevada prontidão combativa” causada pelas artilharias, criada pera intimidar a população manifestante, terá causado um efeito contrário para aqueles que desejavam estar presentes para testemunhar aquele acto que marcou o processo de institucionalização do presidente da República.

Às vezes, pensamos que não é cultura. Mas a política é uma das áreas da Cultura, também! Antes de falar desta investidura que se apresentou com uma baixa dimensão cultural de dois pobres parágrafos no discurso, é importante saber o que é a Cultura.

Ela acaba por significar “acção de tratar” ou “cultivar a mente e os conhecimentos”. Partindo deste enunciado, é possível compreender que cultura é o conhecimento que está, para além do conceito das plantas, ligada ao ser humano.

Nesta quinta-feira, 15, enquanto João Manuel Gonçalves Lourenço tomava posse para o seu “conturbado e forçado” segundo mandato, jovens artistas, activistas e defensores dos direitos humanos foram intimidados, ameaçados e detidos pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Zola Mandela, activista de Cacuaco foi detido em sua própria casa um dia antes da investidura. O músico e activista Hitler Samussuku denunciou na quinta-feira, 15, que uma viatura estranha estava a rondar a entrada da sua residência para impedir a sua movimentação e incentivo a protestos nas ruas de Luanda. São muitos detidos e intimidados que os seus familiares e amigos vão denunciando dia pós dia na imprensa e nas redes sociais.  

Mas o que não se cala é a tamanha pobreza do discurso de João Lourenço, que não defende a justiça e nem mesmo os injustiçados: a quinta legislatura promete. No seu discurso de 4.896 palavras e 13 páginas do word em tamanho de letra 12, JLO afirmou que “o reforço do sentimento patriótico e da unidade nacional, como factores essenciais da afirmação da nossa cultura, da nossa identidade e da angolanidade ocupa igualmente uma posição de relevo na nossa agenda. Durante o nosso mandato, o Executivo angolano continuará a enaltecer essas componentes culturais, assim como a dar ênfase às culturas próprias de todos quantos constituem o mosaico humano angolano. Defendemos a unidade na diversidade e a diversidade promotora da unidade.”, fim de citação.

Numa ronda simples para sondar a percepção daqueles que fazem a Cultura acontecer em Angola, a maioria ficou completamente desiludida.

À semelhança dos cinco anos de mandato anterior, João Lourenço não conseguiu elevar a Cultura Angolana na mais alta dimensão da sua valorização, sendo que a pobre mensagem da sua investidura pode ser compreendida como ausência de um plano estratégico para a classe artística nacional.

O próximo passo é aguardar o Estado da Nação.

Com RESILIÊNCIA&FÉ.

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