Mulheres jornalistas defendem mais oportunidades nos espaços de decisão

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Suzana Mendes, durante uma dinâmica de grupo para engajamento dos formandos. Foto: Luzia Guelengue
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O Fórum reúne profissionais da comunicação social e não só para debater o empoderamento feminino, os desafios da profissão e a necessidade de fortalecer a presença das mulheres na tomada de decisão.

O fortalecimento da liderança feminina, a promoção da igualdade de oportunidades e o combate às desigualdades de género dominaram o seminário de capacitação de jornalistas no Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade do Género (FMJIG), realizado esta segunda-feira, 29, numa das unidades hoteleiras de Luanda.

O encontro reuniu jornalistas, académicos e representantes de instituições públicas para reflectir sobre empoderamento feminino e participação nos espaços de decisão, visando a melhoria do papel da mulher na comunicação social e a construção de uma sociedade mais inclusiva.

No seu discurso de abertura, a presidente da Comissão da Carteira e Ética, Luísa Rogério, revelou um dado que evidencia os desafios da profissão em Angola, alertando que dos cerca de três mil jornalistas registados com carteira profissional e vinculados ao Código de Ética, apenas cerca de 700 são mulheres, o equivalente a 23,3% da classe jornalística nacional.

Para a responsável, este cenário demonstra que ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir maior equilíbrio na representação feminina, sobretudo nos espaços de liderança e decisão dentro das empresas de comunicação social.

Empoderamento & Políticas Concretas

Na palestra dedicada ao tema “Participação nos Espaços de Tomada de Decisão e o seu Impacto na Promoção da Equidade do Género”, Luísa Rogério defendeu que o empoderamento feminino não pode limitar-se a discursos ou campanhas ocasionais.

Segundo a responsável, a verdadeira transformação depende da implementação de políticas públicas sustentáveis, capazes de assegurar educação de qualidade, autonomia financeira, conhecimento dos direitos fundamentais e a criação de redes de apoio entre mulheres.

A presidente da Comissão da Carteira e Ética destacou igualmente que a presença feminina nos espaços de decisão contribui para políticas públicas mais inclusivas, particularmente nas áreas da educação, saúde, protecção social, emprego e desenvolvimento comunitário.

Ao apresentar experiências nacionais, referiu programas de financiamento ao empreendedorismo feminino, iniciativas de capacitação de jovens, projectos de liderança e acções desenvolvidas por organizações da sociedade civil para promover a inclusão económica e social das mulheres.

Mais Mulheres na Liderança

Na mesma jornada formativa, a jornalista Milena da Costa apresentou uma reflexão sobre “Empoderamento Feminino, a Afirmação da Mulher na Sociedade e o Contexto das Mulheres Jornalistas”, defendendo que as profissionais da comunicação desempenham um papel decisivo na promoção dos direitos humanos, da igualdade de género e da cidadania.

Segundo a prelectora e coordenadora do Fórum de Mulheres Jornalistas para Igualdade do Género, durante muitos anos as mulheres estiveram afastadas dos centros de decisão e limitadas a funções consideradas secundárias. No jornalismo, recordou, as profissionais eram frequentemente destinadas apenas à cobertura de temas sociais, ficando excluídas de áreas como política, economia e investigação.

Actualmente, Milena da Costa afirmou que essa realidade começa a mudar, mas persistem desafios como a desigualdade de oportunidades, o assédio no ambiente de trabalho, a discriminação e os ataques dirigidos às mulheres, sobretudo nas plataformas digitais.

Para a profissional da TPA, o empoderamento feminino representa um processo contínuo de conquista de autonomia, liberdade e reconhecimento, tendo na educação, na independência económica e no acesso à liderança os seus principais pilares.

Mais Mulheres na Liderança

As duas intervenções convergiram na necessidade de aumentar a participação feminina nos cargos de chefia, tanto nas instituições públicas como nas empresas privadas e nos órgãos de comunicação social.

Milena da Costa destacou que as mulheres jornalistas não apenas informam, mas também contribuem para educar a sociedade, denunciar injustiças e ampliar o debate sobre temas muitas vezes invisibilizados.

A comunicadora recordou ainda o percurso de várias jornalistas que alcançaram posições de destaque na política e na administração pública, demonstrando que o jornalismo constitui uma importante escola de liderança e intervenção cívica.

Prioridades das Mulheres e Desafios

Entre as principais recomendações saídas da formação figuram o investimento permanente na formação das mulheres, a promoção da igualdade salarial, o combate à violência baseada no género, o reforço da protecção laboral e a criação de ambientes profissionais mais inclusivos.

As participantes defenderam igualmente o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres, considerando que a solidariedade profissional constitui um dos instrumentos mais eficazes para ampliar a representatividade feminina nos espaços de decisão.

Apesar dos avanços registados em Angola, as intervenientes reconheceram que a igualdade plena ainda está distante de ser alcançada. A reduzida presença feminina entre os jornalistas com carteira profissional e nos cargos de liderança demonstra que o empoderamento continua a exigir acções concretas por parte das instituições públicas, das empresas e da própria sociedade.

Mais do que uma reivindicação sectorial, o evento concluiu que promover a participação das mulheres nos processos de decisão significa fortalecer a democracia, melhorar a qualidade das políticas públicas e criar condições para um desenvolvimento mais justo, inclusivo e sustentável.

Os participantes foram categóricos em afirmar que num país onde as mulheres representam uma parcela significativa da população e desempenham um papel central na vida económica, social e cultural, o desafio passa agora por transformar o discurso em oportunidades concretas, garantindo que o talento feminino encontre espaço para liderar, decidir e contribuir plenamente para o futuro de Angola.

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