Historiadora revela o papel da rádio na construção da história de Angola

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Marissa Moorman, no centro, com Reginaldo Silva, à sua esquerda e Carlos Ferreira à direita. Ela é uma das mais respeitadas investigadoras da actualidade no campo da história cultural africana. Foto: DR
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A obra “Frequências Poderosas” revisita sete décadas de comunicação, resistência e transformação social no país.

A historiadora norte-americana Marissa Moorman apresentou, esta sexta-feira, 19, em Luanda, a edição em português da obra Frequências Poderosas – Rádio, Poder de Estado e a Guerra Fria em Angola (1931-2002), um trabalho de investigação que mergulha na história da rádio como instrumento de comunicação, influência política, resistência e construção da identidade nacional.

Lançado sob a chancela da Editora Kacimbo, o livro reúne mais de uma década de pesquisa e apresenta uma análise profunda sobre a forma como a rádio acompanhou os principais momentos da história angolana, desde o período colonial até aos primeiros anos do Século XXI.

Com 261 páginas distribuídas em seis capítulos, a obra foi traduzida do inglês para português pelo escritor angolano Correia de Sá, permitindo que o público nacional tenha acesso a um dos mais importantes estudos académicos produzidos sobre os meios de comunicação em Angola.

Mais do que contar a história da rádio, Marissa Moorman procura demonstrar como as ondas sonoras atravessaram fronteiras geográficas e ideológicas, tornando-se espaços de disputa política, circulação de ideias e afirmação cultural.

Segundo a autora, o livro não aborda apenas Angola, mas também os impactos da Guerra Fria na África Austral e os processos históricos que moldaram as sociedades da região.

“Esta é uma história sobre Angola, sobre a África Austral e sobre o mundo”, afirmou a investigadora durante a apresentação da obra, destacando ao longo do livro o papel desempenhado pelas emissoras de rádio na mobilização política, na luta pela independência, na guerra civil e na formação da consciência colectiva de milhões de ouvintes.

A obra evidencia ainda como os movimentos de libertação, o Estado angolano, as comunidades da diáspora e os cidadãos comuns utilizaram a rádio como ferramenta de informação, resistência e participação social.

Publicada originalmente em 2019 pela Ohio University Press, nos Estados Unidos da América, a obra tem recebido reconhecimento internacional pela sua relevância académica e pela originalidade da abordagem histórica.

Para Marissa Moorman, apesar do crescimento das plataformas digitais, a rádio continua a desempenhar um papel importante na sociedade angolana, mantendo-se como um dos meios de comunicação de maior alcance e proximidade junto das comunidades.

Professora Catedrática de Estudos Culturais Africanos na University of Wisconsin-Madison, Marissa Moorman é uma das mais respeitadas investigadoras da actualidade no campo da história cultural africana. Doutorada em História de África pela University of Minnesota, é igualmente autora da obra Sons da Nação: História Política e Social da Música Urbana de Luanda (1945-2002), considerada uma referência fundamental para o estudo da música, cultura e identidade angolanas.

A chegada de Frequências Poderosas ao mercado editorial angolano representa não apenas o lançamento de um livro, mas também uma oportunidade para revisitar a memória colectiva do país através de um dos instrumentos que mais contribuíram para informar, unir e dar voz aos angolanos ao longo de diferentes gerações.

Num tempo marcado pela velocidade da informação digital, a obra recorda que, durante décadas, foi através da rádio que muitos angolanos conheceram os acontecimentos que moldaram a história do país, reforçando o seu valor como património cultural, social e político de Angola.

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