Embora saibamos que a população mundial é ligeiramente composta por uma maioria de homens, numa proporção média de 101,8 homens para cada 100 mulheres, esta proporção é desigual geograficamente e inverte-se com o avanço da idade devido à maior expectativa de vida feminina.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, em Angola, a maioria da população é mesmo mulher, representando 51% da população total (cerca de 18,6 milhões) e os homens com 49% (cerca de 17,9 milhões). É a lógica de que o índice de masculinidade é de 96%, o que significa que existem 96 homens por cada 100 mulheres no país. No
No plano real e na comunicação social angolana, a situação exige ainda algum trabalho de empoderamento feminino, o fortalecimento da liderança feminina, a promoção da igualdade de oportunidades e o combate às desigualdades de género.
Foi nessa dinâmica que a presidente da Comissão da Carteira e Ética, Luísa Rogério, revelou em primeira mão que apenas cerca de 23% dos jornalistas com carteira profissional em Angola são mulheres e elas não devem servir apenas para alimentar estatísticas, mas também precisam começar a buscar compreender as razões desta realidade e, sobretudo, aquilo que podemos fazer para a transformar.
Esses dados foram apresentados nesta segunda-feira, 29, no workshop de capacitação sobre Empoderamento Feminino e Participação nos Espaços de Decisão, realizado em Luanda.
Ao longo da história, as mulheres sempre desempenharam um papel determinante na construção das famílias, das comunidades e das nações. No entanto, durante demasiado tempo, muitas das suas capacidades permaneceram abafadas ou subaproveitadas por força de barreiras culturais, sociais e institucionais.

A visão que carrego é a de que o empoderamento feminino não deve ser percebido como um movimento que visa substituir homens por mulheres, nem estabelecer uma disputa entre géneros. A ideia central é criar condições para que cada pessoa possa desenvolver plenamente o seu talento, independentemente do seu sexo. Uma sociedade inteligente não desperdiça a maioria do seu capital humano.
O jornalismo constitui um excelente exemplo desta realidade. Quando uma mulher conquista espaço numa redacção, não leva apenas uma voz diferente; leva novas perspectivas, novas sensibilidades e novas formas de interpretar a realidade. Quanto maior for a diversidade de olhares, mais completa será a informação que chega aos cidadãos.
Mas o desafio não termina simplesmente no jornalismo, pois a verdadeira questão é saber quantas mulheres participam nas decisões que definem o futuro do país. Quantas lideram empresas? Quantas dirigem universidades? Quantas coordenam centros de investigação? Quantas influenciam políticas públicas? Quantas ocupam lugares onde se decide o rumo da economia, da educação ou da inovação?
A igualdade de oportunidades não nasce apenas das leis. Constrói-se na educação, no acesso ao conhecimento, na valorização do mérito, na autonomia económica e na criação de ambientes onde competência e carácter sejam os principais critérios de escolha.
Também não podemos esquecer que a responsabilidade pela transformação pertence a toda a sociedade. Cabe às instituições remover as barreiras impostas. Cabe às famílias educar sem qualquer preconceito. Cabe às empresas valorizar o talento. Cabe aos homens compreender que uma mulher empoderada não representa uma ameaça, mas uma parceira na construção de um país mais desenvolvido.
Quando uma mulher cresce, cresce uma família. Quando milhares de mulheres crescem, a nação também avança.
Por isso, a Angola que desejamos construir precisa de homens e mulheres preparados para servir, liderar e inovar. Não por imposição de quotas, mas porque o desenvolvimento sustentável exige inteligência colectiva, diversidade de pensamento e igualdade de oportunidades para todos.
O futuro não pertence aos países que dividem talentos. Pertence àqueles que sabem descobri-los, desenvolvê-los e colocá-los ao serviço do bem comum.
A verdadeira grandeza de uma nação não se mede apenas pelas suas riquezas naturais ou pelos seus indicadores económicos. Mede-se, sobretudo, pela capacidade de criar oportunidades para que cada cidadão – homem ou mulher – possa realizar plenamente o seu potencial.
E quando isso acontecer, o nosso país não terá apenas mais mulheres em posições de liderança. Terá uma sociedade mais justa, instituições mais fortes e um futuro muito mais promissor.
Gratidão com Resiliência&Fé!


































