Curador angolano reconhecido na Holanda

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Luamba Muinga é um curador e pesquisador de arte angolana. Foto: DR
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A nota da organização sustenta que o reconhecimento é resultado do trabalho apresentado nos últimos dois anos.

O curador e pesquisador cultural angolano Luamba Muinga foi recentemente galardoado com o prémio “Seed Awards”, promovido pelo Fundo Prince Claus que homenagea e conecta artistas e profissionais culturais na África, Ásia, América Latina, Caribe e Europa Oriental. Luamba Muinga é o primeiro angolano a recebê-lo.

De qacordo com a nota de imprensa chegada à nossa redacção, a organização neerlandesa estabelecida como um tributo à Sua Alteza Real Príncipe Claus tem no prémio “Seed Awards”, o mecanismo para todos os anos reconhecer artistas e outros profissionais da cultura que estão nos primeiros cinco anos de carreira, cujas práticas são socialmente engajadas e abordam questões prementes nos contextos locais e cobrem uma diversidade de temas.

“O prémio, monetário, estabelece também uma rede de suporte e mentoria, networking e apoio técnico com vista a explorar novas perspectivas e desenvolver a sua prática em seus próprios termos.”, frisa a nota.

Luamba Muinga é curador, produtor e crítico cultural. Co-autor de “Are we not makers of history?” (Bag Factory, Joanesburgo, 2020) com a curadora moçambicana Sara Carneiro. Coordena o LabCC – Laboratório de Crítica e Curadoria, plataforma de arte para jovens curadores e críticos de arte de Luanda.

TURN2 RESIDENCIES

Financiado pelo programa TURN2 da Fundação da Cultura Federal Alemã (Kulturstiftung des Bundes) e pelo Comissário Federal do Governo para a Cultura e a Mídia (Beauftragte der Bundesregierung für Kultur und Medien), O TURN2 RESIDENCIES é um programa de pesquisa que decorre no Centro de Arte e Urbanística de Berlin em que o curador e pesquisador angolano Luamba Muinga doi conviddo a fazer parte, em Setembro do corrente ano.

O projecto a ser apresentado será serendipitious history – the vertragsarbeiter, que situa as relações de Angola e a Alemanha socialista, na segunda metade da década 80, explorando a vida de mais de 6 mil angolanos trabalhadores de fábricas e estudantes durante este período.

Para além do TURN2 RESIDENCIES ser um programa conjunto da Kulturstiftung des Bundes, o Center for Art and Urbanistics e a Triangle Network, conta com a colaboração da Bag Factory em Joanesburgo, Nairobi Contemporary Art Institute (NCAI) e GAS Foundation em Lagos.

SOBRE O AUTOR

Em 2020, Luamba fez parte do programa de pesquisa Luso-Linkup, dado Bag Factory, em Joanesburgo, e apoiado pela Pro Helvetia Johannesburg – Conselho Suíço de Artes, financiado pela Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (SDC). O projecto de residência colaborativa juntou a curadora e artista portuguesa residente em Maputo, Sara Carneiro e o curador angolano Luamba Muinga.

O programa de pesquisa resultou na publicação de “Are we not makers of history?”, um livro de arte com trabalhos de nove artistas de língua portuguesa sediados em/entre Luanda, Maputo, Cidade do Cabo, Joanesburgo, Grécia e Holanda. E contou ainda com a participação do escritor e jornalista angolano José Luís Mendonça, e do moçambicano Tavares Cebola.

O livro é definido como “uma meditação entre artistas, curadores e autores sobre as impermanentes recolhas que preconizam a permanência da memória coletiva, exploram aspectos que levam à preservação de identidades culturais e enfatizam uma reflexão histórica.” A publicação explora os temas da identidade cultural, memória colectiva e questões de género na África pós-colonial.

De acordo com informações a que tivemos acesso, através da plataforma de arte LabCC – Laboratório de Crítica e Curadoria, do qual é coordenador e gestor de projectos, Luamba Muinga tem sido responsável, conduzido a pesquisa e entrevistas online, pelo projecto Museu em Desenho, que investiga e reflecte as posturas e práticas educativas e sociais para os museus, a integralidade das colecções e os focos curatoriais dos museus em Angola.

Os primeiros encontros (presenciais e online) aconteceram em Maio de 2021 que juntou profissionais da cultura de diversas partes do mundo. Decorre agora em outubro a segunda sessão de debates online através do Facebook e Youtube da plataforma. Em 2022 será a apresentação da publicação do projecto, com as intervenções, ensaios e diversos textos sobre o projecto.

Luamba ainda actuou em projectos curatoriais para a feira de arte sul-africana FNB Art Jorburg (2020) apresentando um projecto independente com a artista sul africana-angolana Helena Uambembe; a mostra colectiva Qual Futuro (2020) do LabCC; e foi o coordenador do Don´t Waste, Create (2020, primeira edição), prémio de arte ambiental da empresa Angoalissar. É co-fundador da revista de arte Palavra&Arte e publicou artigos/resenhas de arte no CULTURA – Jornal Angolano de Arte e Letras. E é hoster do ART APPRECIATION, um programa de eventos voltado para o cinema de autor e a videoarte.

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