A Dispersão Crónica da Classe Artística Nacional – Fernando Guelengue

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A dimensão da cultura africana. Foto: DR

A arte é um veículo de transformação de qualquer sociedade que deseja viver ao abrigo das melhores práticas de organização, gestão e desenvolvimento.

A primeira impressão que se tem quando olhamos para o mundo artístico nacional é, de forma inconsciente, a disciplina cultural que mais acções e promoções interventiva fez em prol da nação. Ela foi a responsável pela mobilização de cidadãos que precisavam compreender o fenómeno da Luta de Libertação Nacional do jugo colonial e dos que pretendiam viver os sabores incondicionais e espinhosos da pacificação do País.

Estou a falar da MÚSICA. Coloco em caixas altas para dizer que, para além de convivermos com um inadequado momento cultural nas suas mais variadas vertentes artísticas como no Teatro, na Pintura, na Literatura, no Cinema, na Dança e noutras, por falta de tudo e mais alguma coisa, a Música ainda está a navegar um mar como um navio que necessita de mais investimentos, atenção, manutenção e até mesmo um combustível de jato, aquele que contém substâncias para transportes de aviação.

A atenção a que me refiro está longe de se pensar que tem a ver com a necessidade “madoísta” de transformar a nossa música num Património Imaterial da Humanidade, pelo Fundo das Nações Unidas par Educação e Cultura (UNESCO). Não é isso ainda, meus senhores! A ideia que move qualquer país sério é a de viver com base nas suas marcas e identidades culturais, antes destas serem transportadas além-fronteiras.

Afirmar que não existe um movimento cultural nacional seria uma verdadeira utopia e um atentado ao trabalho de dezenas de profissionais ligados às Artes, que deram e continuam a dar os seus litros de sangue à Cultura no geral e à música em particular.

Mas a verdade é que, há ainda uma crónica dispersão da classe artística nacional que se mostra sintomática para aqueles que têm a responsabilidade de velar pelo seu desenvolvimento e crescimento. Os músicos e outros fazedores das artes estão entregues à sua sorte nos mais variados aspectos.

É só ver a forma como muitos deles são (mal)tratados. São ricos criadores, mas pobres cidadãos que acabam por perder a vida em unidades hospitalares sem qualquer qualidade no atendimento e até mesmo com ausência de assistência médica e medicamentosa.

Os músicos não estão seguros com as suas actividades porque a pergunta que não se cala, fruto da ausência da aprovação da lei que estabelece a acção como uma profissão, é a que diz: o que o senhor faz para além da música? Yannick, numa das suas canções do álbum “Mentalidade” deixa claro que se trata de uma pergunta banal.

Essa dispersão não ajuda em nada. Uma classe unida e organizada tem mais a ganhar porque a música em si produz uma indústria que alimentará outras disciplinas culturais que existem no país.

É só perceber que sem apoios visíveis do Executivo, uma pequena porção de músicos estão a trabalhar na internacionalização da marca e bandeira nacional. A organização sempre vai gerar crescimento que se vai repercutir em desenvolvimento financeiro e material para os cidadãos que trabalham neste sector de actividade.  

Quantos músicos tem o país? Quem são os compositores do país? O cancioneiro nacional está devidamente organizado? As músicas tradicionais estão todas registadas? Deixo estas pequenas questões para nos levar num túnel que precisamos entrar para perceber que o sol só brilha para aqueles que vão à luta.

Não tem como!

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