Participar na conferência sobre a vida e o legado intelectual de Christine Messiant foi, para mim, mais do que uma homenagem académica. Foi uma oportunidade para reflectir sobre o papel da investigação na compreensão de Angola e, sobretudo, sobre aquilo que fazemos com o conhecimento produzido sobre o nosso país.
Christine Messiant, tal como foi apresentada pelos prelectores e convidados, dedicou parte importante da sua obra ao estudo do nacionalismo, do Estado, da guerra, das elites, da democracia e da sociedade angolana.
Ao longo da conferência duas questões fundamentais permanecem activas até ao momento que decidi escrever o presente artigo: que impacto têm as investigações produzidas sobre Angola na vida das comunidades? Onde chega esse conhecimento e que transformação tem provocado?
Foi nesse sentido que usei o microfone durante o encontro para deixar claro que o investigador não deve limitar-se a produzir conhecimento para as teses, os livros ou as conferências. É crucial que a investigação regresse à sociedade, chegue às comunidades, às escolas, aos jovens e a demais cidadãos, através de livros acessíveis, documentários gratuitos, conteúdos educativos, jornalismo e outras plataformas de divulgação.
Na qualidade de participante, jornalista e pesquisador convidado pelo Centro de Estudos Africanos, da Universidade Católica de Angola, questionei também sobre o impacto da obra de Christine Messiant no jornalismo angolano. A pesquisa científica e jornalismo têm linguagens diferentes, mas podem complementar-se.

O trabalho científico oferece ao jornalista contexto, memória, dados e profundidade para compreender fenómenos que não podem ser explicados apenas pela notícia do dia.
Razão pela qual, defendo uma aproximação maior entre investigadores, jornalistas e comunidades que têm sido objeto de estudo.
O investigador pode produzir conhecimento, o jornalista pode ajudar a torná-lo acessível e as comunidades devem participar e beneficiar desse processo. A história e a memória de Angola não podem permanecer confinadas somente aos espaços académicos.
Enquanto Director do Marimba Selutu e pesquisador da Associação Científica de Angola, considero que precisamos de um jornalismo e de uma investigação comprometidos com a documentação, a preservação da memória e a democratização do conhecimento.
No fundo, o verdadeiro legado de Christine Messiant está também na capacidade de a sua obra continuar a provocar perguntas e homenageá-la num momento como este, não deve significar apenas recordar o que investigou, mas assumir o compromisso de continuar a investigar sobre Angola, compreender a sociedade e devolver às comunidades o conhecimento que se produz sobre elas.

































