Top da Bagunça na Rádio Luanda – Salas Neto

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Salas Neto é escritor e jornalista angolano.
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«O Jomo é um maluco!», assim era qualificado o ministro da Cultura pelo músico Gerson Castro, o convidado de honra para a cerimónia em que se anunciaria o vencedor da fase provincial de Luanda do «Top dos Mais Amigos» do José Pedro Benge, como eu chamo ao «Top dos Mais Queridos» da Rádio Nacional de Angola, que acabaria por acontecer na emissão de hoje do «Kyalumingo» da minha amiga Carla Pena.

Gerson Castro, que é uma espécie de músico-residente vitalício da representação angolana em todas as «expos», estando de malas feitas para mais seis meses na próxima, a partir de Setembro no Dubai, falava a propósito duma discussão inesperada surgida no final do programa, a propósito do título de «príncipe do semba» que alguém atribuiu a Eddy Tussa, presumo que por Jomo Fortunato, derivando daí o epíteto que ganhou, uma vez que o camarada das «expos», de quem nunca ouvira falar na minha vida, defende que aquele não sabe cantar. Insurgindo-se contra o que diz ser a distribuição impensada de coroas, ele diz que este estado de coisas só vai mudar quando se conseguir separar a música da política. 

No lado oposto da discussão, que esteve prestes a evoluir para uma altercação entre peixeiras, estava o cantor, compositor e produtor Punidor, que se insurgiu à brava contra o que disse serem blasfémias do músico das «expos» a respeito das virtudes do Eddy Tussa. Por acaso também achei exagerado e muito deselegante o que ele disse. Depois de chamar o ministro de xoné, penso que, se depender dele, o Gerson Castro, que é primo do José Pedro Benge, aí está a explicação para a estranheza do seu surgimento algo contra-natura no programa, pode vir a ser obrigado a desfazer as malas.

A bagunça só terminou após uma intervenção enérgica da Carla Pena, que já estava a tardar, sendo que ela prometeu conceder espaço para uma abordagem mais civilizada e melhor fundamentada sobre o tema. Paulo Flores, com a sua «Njila ya dikanga», na qual é ajudado por Yuri da Cunha, foi declarado vencedor, sendo então o representante de Luanda no maior concurso de música angolana.

Nota: se a Rádio Nacional de Angola quer que o «top» seja encarado com seriedade, pugnando pela credibilidade devida, faça-nos só o favor de afastar o meu amigo José Pedro Benge de qualquer cargo decisivo no manuseamento dos votos, no quadro da comissão organizadora. É que ele já nem esconde a predileção que tem pelo Ti Paulito, tipo é o agente dele. Ainda que o camarada seja também o meu favorito, não gosto de quem ganha à batota, incluindo na política.

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