Especialistas defendem mais oportunidades, liderança feminina e combate à discriminação durante Fórum de Mulheres Jornalistas em Luanda.
A promoção da igualdade de género no jornalismo, o fortalecimento da liderança feminina e o combate às desigualdades estruturais marcaram as reflexões apresentadas durante o Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade de Género (FMJIG), realizado esta segunda-feira, 29, em Luanda, onde especialistas defenderam uma maior valorização da mulher na comunicação social e nos espaços de decisão.
Sob o tema “Empoderamento Feminino, a Afirmação da Mulher na Sociedade e o Contexto das Mulheres Jornalistas”, a jornalista e coordenadora do FMJIG, Milena da Costa abordou os principais desafios enfrentados pelas mulheres angolanas, destacando que, apesar dos avanços registados nas últimas décadas, persistem obstáculos relacionados com a discriminação, a violência baseada no género, a desigualdade de oportunidades e a reduzida representação feminina em cargos de liderança.
Na sua intervenção, a prelectora defendeu que o empoderamento feminino vai muito além da conquista de direitos individuais, representando um processo de transformação social que permite às mulheres desenvolver autonomia, participar activamente na tomada de decisões e contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva.
“A educação é um dos pilares do empoderamento feminino, pois permite que as mulheres desenvolvam o pensamento crítico, amplie as suas oportunidades e questionem estruturas injustas. O sigilo é também importante nos aspectos em que as mulheres decidem partilhar uma situação pessoal”, frisou Milena da Costa, sustentando que a independência económica e o acesso aos espaços de liderança também constituem pilares fundamentais para o fortalecimento da posição da mulher na sociedade angolana.
No que diz respeito ao exercício do jornalismo, a comunicadora recordou que as mulheres desempenham um papel determinante na promoção dos direitos humanos, da igualdade de género e da consciencialização social, contribuindo para dar visibilidade a temas que, durante muitos anos, permaneceram à margem da agenda mediática.
A jornalista destacou que a presença feminina nas redacções, rádios, televisões, jornais e plataformas digitais tem permitido ampliar a diversidade de perspectivas na produção de informação e fortalecer o debate público sobre questões sociais, políticas e culturais.
Apesar disso, alertou que muitas profissionais continuam a enfrentar discriminação, assédio, limitações no acesso a funções de chefia e ataques, particularmente nas plataformas digitais, factores que continuam a dificultar a plena afirmação da mulher no sector da comunicação social.
Durante a apresentação, foram igualmente recordados exemplos de mulheres jornalistas que alcançaram posições de destaque na política, diplomacia e administração pública, demonstrando que o jornalismo pode constituir uma importante escola de liderança e participação cívica.
Na conclusão da sua intervenção, Milena da Costa defendeu que o empoderamento feminino deve ser entendido como uma responsabilidade colectiva, apelando ao reforço de políticas públicas e de iniciativas institucionais que promovam maior equidade, inclusão e valorização das mulheres em todos os sectores da sociedade.
O Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade de Género reuniu profissionais da comunicação social, académicos e representantes de diversas instituições públicas e privadas para reflectir sobre os desafios da profissão e discutir estratégias capazes de promover uma comunicação mais inclusiva, ética e comprometida com a igualdade de oportunidades.
Milena da Costa é jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) desde 1987, com mais de três décadas de experiência na comunicação social. Actualmente exerce funções na Direcção de Conteúdos do Canal 2 e é Comissária da Comissão da Carteira e Ética. Licenciada em Ciências da Comunicação, docente universitária e especialista em produção televisiva, coordena o Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade do Género (FMJIG), destacando-se pela promoção da igualdade de género, dos direitos humanos e do empoderamento feminino em Angola.





































