“A nossa Cultura é a nossa maior moeda de troca”, defende Dog Murras

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Murthala Fançony Bravo de Oliveira é um dos artistas convidados do Festival da Consciência Negra, no Brasil. Foto: Cedida
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Celebra-se a 20 de Novembro, o Dia da Consciência Negra no Brasil e sabemos que o Festival está na sua 2ª edição. Um dia antes da celebração, ouvimos o artista, compositor e empreendedor angolano sobre o seu entendimento da data, o estado actual da sua carreira e os benefícios dos direitos autorais em Angola e no mundo.

O que esta data representa para si?
Dia da Consciência Negra é uma data importante para reflectirmos em Grupo. E falo sobre a consciência do negro globalmente. Qualê a importância da Mãe África e dos filhos de dentro e de fora de África, nesse planeta? Quem somos nós? Quem são os outros? Porquê que os outros desenvolvem e nós não? Dia da Consciência Negra, é um dia pra fazermos uma radiografia, um Raio X, sobre nós. Quais são as nossas Forças e Fraquezas, as nossas Oportunidades e Ameaças? O que precisamos fazer e de que forma agir para mudarmos o actual quadro? chamarmos pra nós mesmos a responsabilidade sobre a mudança que precisamos para atingir outros níveis. A valorização da ancestralidade.

Precisamos de começar a unir os povos através da força imbatível da nossa Cultura.


Quais as oportunidades que se podem conseguir num Festival que congregará artistas de várias nacionalidades?
Muito além do intercâmbio cultural mais activo, real e necessário, esses encontros nos permitem criar uma Visão afrocêntrica essencial para a nossa coesão. Os filhos d´África carecem de desenvolver um espírito de progresso colectivo. Este evento que conta com a junção de músicos, escritores, palestrantes, pintores, actores e contadores de história, é uma oportunidade ímpar pra apresentarmos a nossa narrativa na primeira pessoa e pra construirmos espaços de interacção entre nós. Então, está mais do que na hora de promovermos iniciativas do género e de participarmos activamente de actividades que unam os africanos de fora e de dentro, num lugar distante do continente berço, pois fazemos parte da mesma Raíz.  

 
Até a presente data, vivemos num outro mundo e numa outra realidade. Precisamos de começar a unir os povos através da força imbatível da nossa Cultura.

Em que estágio está a sua carreira profissional como músico, escritor e empreendedor?
Eu não estou parado. Estou me reciclando, só por isso não estou tão activo no mercado musical. Mas, no mês de Julho do corrente ano, lancei o single “Não!!!” que, para minha surpresa e felicidade, tem sido bastante consumido. A música “Não!!!” veio mostrar ao mundo a cara do meu 8° CD de originais intitulado “Chuva de Pregos” que sairá ao mercado em 2023. No campo do empreendedorismo existem muitos projectos na área da Cultura, Educação e Saúde entre o Grupo Acção Jovem Angola, do qual sou o PCA e vários parceiros, tanto internacionais como locais. Vale frisar que temos muito boas perspectivas para actuarmos em Angola no próximo ano. 

Falta dar oportunidade e ensinar as pessoas talentosas a produzir, desenvolver e gerir os ganhos das suas obras

Como avalia o empreendedorismo artístico em Angola?
O subdesenvolvimento social é uma falha grave que limita o empreendedorismo e prejudica o desenvolvimento  de África. Faltam incentivos por parte de quem de direito, falta formação, falta dar oportunidade e ensinar as pessoas talentosas a produzir, desenvolver e gerir os ganhos das suas obras. Falta, sobretudo, o investimento na juventude, sem isso, não há como criar um mercado artístico que seja activo, efectivo e que permita gerar renda para o artista. A nossa cultura é a nossa maior moeda de troca, mas os artistas angolanos têm que perceber isso. Precisam de abandonar a mentalidade de entrar para esse universo só com vontade de aparecer, ter fama e fazer Banga Fukula. E agora com o advento das redes sociais, que dão autonomia e liberdade de cada artista administrar a sua carreira, deveríamos estar melhor e mais distante. Os artistas nigerianos, sul africanos, congoleses e outros poucos já perceberam o seu papel e a sua relevância no Music Hall Universal e, isso, tem lhes permitido dar um salto qualitativo na produção das suas obras e também tirar o justo dividendo sobre a sua arte.  

 
… a Vidisco foi notificada e instada por eles, a me ofertar 2 discos de ouro e os respectivos bônus monetários pelas boas vendas dos discos “Bué Angolano” e “Pátria Nossa”

Os seus direitos autorais estão garantidos no país ou a nível internacional?
A nível internacional. Eu sou membro da SPA desde 2005 e só dei conta do valor dessa filiação, quando através deles a minha produtora, na altura, a Vidisco foi notificada e instada por eles, a me ofertar 2 discos de ouro e os respectivos bônus monetários pelas boas vendas dos discos “Bué Angolano” e “Pátria Nossa”. Sou também membro da Abramus aqui no Brasil e aproveitei a minha ida para o Festival da Paz em Agosto do corrente ano para me inscrever na Sadia em Angola. A SPA e a ABRAMUS funcionam perfeitamente na protecção da minha propriedade intelectual e dos direitos autorais da minha obra, quanto a Sadia vamos aguardar os resultados até Agosto de 2023. Eu vos informarei se funciona, ou se são só Bilingueiros.

PERFIL
Conhecido também como palestrante motivacional e activista social, Dog Murras, nome artístico de Murthala Fançony Bravo de Oliveira, nasceu a 17 de Fevereiro de 1977, iniciou a carreira artística depois de frequentar o curso de Belas Artes, numa das escolas secundárias de Joanesburgo, África do Sul.

Após 3 anos do lançamento da música “Don’t Know”, dedicada à Paz em Angola, no projecto Pomba Branca, a produtora portuguesa Energy Records em colaboração com o produtor angolano Eduardo Paim, lança o seu disco intitulado “Suis Generis”, em 1999, marcando o início da sua carreira musical.

O produtora portuguesa Sons D’África lançou o “Natural e Diferente”, em 2000; a Vidisco o álbum “Bué Angolano”, em 2003 e “Pátria Nossa”, em 2005; a LS Produções trabalhou o “Kwata-Kwata”, em 2007 e o CD/DVD “Angolanidade”, em 2010 e a Murras Power levou ao mercado o “Best Of Dog Murras”, em 2015.

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