Conheça a fazenda de 1932 que se transformou em museu

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O Museu da Tentativa é uma infraestrutura museológica do Bengo, Angola. Foto: DR
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Inaugurado como Museu da Tentativa no dia 4 de Janeiro de 2011, o local acolhia a antiga fazenda Tentativa, fundada em 1932.

De acordo com relatos no historiador e director do museu, António Camões, naquele espaço ocupavam grandes extensões de áreas de cultivo de cana-de-açúcar, bananal e o palmar.

A produção ocupava uma área que ligava a zona do Sassa Povoação, Paranhos, Valverde, Cambambe, Santa Ana e Boavista, passando pela Açucareira até à localidade da Kinjanda, no Porto Quipiri.

Antes do Porto Quipiri, existia o Porto da Kinjanda, que servia de ponto de atracagem de embarcações com mercadorias, que eram transportadas de comboio para Luanda.

“Além da fazenda, havia aqui uma zona fabril, onde eram transformados os produtos do campo, com destaque para a fábrica da Açucareira, que tinha no total 7.500 trabalhadores, dos quais 5.000 prestavam serviços nos campos de cultivo e 2.500 trabalhavam na fábrica”, lembrou.

Acrescentou que a vala de irrigação de Caxito foi criada para sustentar o projecto da fazenda Tentativa, que também pertencia à Companhia de Açúcar de Angola. “Vários produtos, saídos da fazenda, eram transformados na zona fabril da Açucareira e enviados para a Europa, incluindo a matéria-prima que sustentava a fábrica de sabão, no Baleizão, na capital do país (Luanda).

Depois da cana-de-açúcar, o dendém era a cultura mais produzida e exportada. Segundo António Camões, o projecto para a criação da fazenda Tentativa começou em Benguela, em 1930, com os portugueses Manuel Lopes Pereira Guedes,  António de Albuquerque de Sousa e Visconde de Alto Dande.

O historiador e director do museu esclareceu que o nome Tentativa surgiu depois de não ter sido possível implementar um projecto, na região do Bengo, que antes funcionou em Benguela. Segundo o projecto, os rapazes maiores de 12 anos eram obrigados a realizar trabalhos forçados.

“Naquele tempo, havia vários tipos de contratos de trabalho, como, por exemplo, o de pagamento de impostos. Caso o contratado não conseguisse pagar ao colono, era obrigado a trabalhar na fazenda até concluir o valor da dívida”, contou o responsável.

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