Protesto “fica em casa” cria divisão da classe artística angolana

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O músico e activista social Nelson Dembo, “Gangsta”, lançou um apelo que tem mobilizado a população em geral, políticos, activistas e artistas dos vários estratos sociais para a manifestação pacífica “fica em casa”.

Iniciada nas redes sociais, a onda de mobilização nacional está a convidar os angolanos a ficarem em suas residências esta sexta-feira, dia 31 de Março, como forma de protesto contra a forma de governação do Presidente João Lourenço, eleito para o segundo mandato em 2022.

Algumas figuras públicas aceitarem por convicção e estão a lançar campanha a favor da iniciativa que, segundo o principal promotor, visa criar uma roptura na economia do País devido às injustiças, abuso de poder, violação dos direitos humanos, índice elevado de desemprego e as más condições de vida dos angolanos.

Entre eles, destacamos o músico e compositor Paulo Flores que apresentou a sua posição pública sobre o movimento num vídeo.

“Estou aqui como cidadão e peço a todos os meus fãs, os criadores, doutores, os analfabetos de afectos que não sabem sentir pelos outros. Dizer à juventude que nem tudo que brilha é ouro. E que somos jovens e a nossa maior riqueza são as pessoas”, frisou o músico, sustentando que existe um ditado popular que diz que na luta de dois elefantes quem sofre é o capim.

O autor de vários sucessos musicais disse ainda que o capim [povo] está cansado e ninguém sai de casa. “Ninguém sai do cubico”, rematou o artista, cantando a música “Esse lobo quer me comer”.

Quem não ficou de parte e em silêncio é a poetisa angolana Joice Zau, que tem conquistado os campeonatos mundiais de Spoken Word e apelou os seus seguidores a se juntar à causa. “Dia 31 fique em casa, não fica teimoso”, escreveu.

“Eu não sou militante de nenhum partido político, nem sou nenhum activista social. Eu sou apenas músico. Músico faz música e como um cidadão é legítimo a minha posição isolada”, escreveu o músico Gerilson Insrael, depois de ver o seu nome citado entre os artistas a serem cancelados.

Em resposta, Flagelo Urbano afirmou que às vezes é melhor ficar calado e deixar que as pessoas pensam que és idiota, do que abrir a boca e acabar de vez com a dúvida. “Acreditar que a responsabilidade social de um artista está limitada a fazer música e nada mais é um absurdo que se justifica pelo nível das letras das músicas do artista em causa”, disse, sustentado que o Gerilson tem o direito de exprimir a sua opinião e o seu direito de resposta.

Por sua vez, a actriz e produtora de eventos culturais Sophia Buco cancelou o seu evento previsto para o dia 31, apresentado razões de saúde. “Evento do dia 31 de Março e 2 de Abril estão cancelados. Peço as minhas sinceras desculpas, não estou psicologicamente bem. Em breve darei notícias”, lê-se na sua publicação online.

Entre os artistas que foram desafiados a se pronunciarem com a ameaça de serem cancelados nas suas redes sociais, pelo também activista de direitos humanos, Gangsta, constam Big Nelo, Ary, Yola Araújo, Yola Semedo, Edmázia Mayembe, Dabeleza, Pai Profeta e Kiaku Kiadaff.

Muitos artistas têm agendas para o dia 31, como é o caso do concerto intimista do músico Dino Ferraz, às 20 horas, em Luanda.

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