“Lamber botas é um caminho para projecção artística em Angola”, lamenta finalista do The Voice Angola 2015

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O finalista da edição de 2015 do concurso musical “The Voice Angola”, realizado na África do Sul, Raphael Sapaio, mostrou-se preocupado com a falta de valorização dos artistas angolanos e pediu maior valorização dos mesmos. O jovem intérprete de 30 anos de idade interpretou o tema “Mãe Querida”, de Matias Damásio.

“Infelizmente em Angola não tem aberturas para talentos sem que se façam coisas fora de padrão, por outra, quanto aos bares, as dificuldades têm sido constantes porque hoje em dia as casas já não querem pagar pela qualidade musical e, nós os músicos conceituados, estamos meio que limitados no nosso trabalho”, referiu o artista,   em entrevista ao Marimba Selutu, esclarecendo que as casas actuais preferem pagar músicos sem a qualidade que se exige.

Raphael Sapaio lamenta o facto de apesar das suas valências musicais comprovadas pelos sucessos que apresenta nos lugares onde tem actuado, ainda não recebeu qualquer solicitação de uma produtora de referência nacional.

“As maiores dificuldades que tenho encontrado em Angola são as portas fechadas. Infelizmente estamos num mercado onde tudo é por conveniência, é preciso ser muito bajulador ou lambedor de botas para conseguir lugares”, desabafou.

Questionado se desde o tempo do The Voice Angola edição de  2015, voltou a participar noutro concurso musical, o intérprete de 30 anos respondeu “Não. Por agora não pretendo participar, mas tenho aproveitado a projecção da imagem e continuar a fazer carreira. Não tenho contrato com nenhuma produtora e tenho fé que com o tempo acontecerá”, frisou o músico.

Nascido em Luanda, aos 8 de Fevereiro de 1993, Raphael Sampaio deu os primeiros passos na música no grupo coral da Igreja Evangélica Baptista em Angola desde os 18 anos de idade. É filho de Rafael André Sapaio e Bibiana Ekiame.

O artista tem como preferência interpretar músicas contemporâneas acústicas, as conhecidas como “músicas dos kotas” e apresenta-se em vários bares, casas noturnas e locais similares de Luanda.

Por: Delgado Teixeira

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