Rei Elias canta ao vivo no Show do Mês

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O evento foi totalmente aplaudido por três motivos, dois quais a viragem do mês do amor, a entrada do mês da mulher e a homenagem a um homem que dedicou mais de três décadas da sua vida à música angolana, marcando várias gerações

REDACÇÃO

As noites de sexta-feira e sábado últimas foram preenchidas com a abertura da quinta temporada do projecto cultural da Nova Energia, Show do Mês, realizado no anfiteatro do Real Plaza Hotel, em Talatona.

O projecto que homenageou Elias dya Kimuezo, o “Rei da Música Angolana”, já se encontra no quinto ano consecutivo e na abertura desta temporada coube a voz e vez do expoente máximo da música angolana, cuja voz, agora mais rouca e embargada, fruto da acção do tempo, só se faz ouvir no kimbundu correcto ensinado pela avó Domingas que apontou os caminhos que foram transformados em mais de 60 anos dedicados à música.

O artista é sempre valorizado pelos célebres “Yá Kala Yá” e “São Nicolau”, dando seu grito de liberdade, no fervor do movimento que conduziu a Independência de Angola.

Maria Luisa Rogério, jornalista e antiga secretária do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, manifestou a sua satisfação em assistir ao concerto do Rei e se expressou afirmando que ficou ansiosa.

“A ansiedade tomou conta de mim. A minha imaginação foi demasiado pequena. O dikota Elias reinou. Bastou elevar a voz nas duas primeiras músicas para “encher” o Royal Plaza. Elias Dya Kiemuezo terá recebido uma das mais belas homenagens ao longo dos seus 83 anos”, reconheceu.

O SHOW

“Mona Ndengue” foi a canção escolhida para abrir as duas horas de actuação do ícone temperado no bairro Margoso, nos festejos do carnaval, formando mais tarde o conjunto “Makezo Dyage”, com Tony Cubango, Paizinho, André e Capetróleo, segundo conta o próprio na obra “O percurso do Rei dya Kimue-zo”, chancelada pela editora “Cão que Lê”. Na partilha dos holofotes com os seus convidados, a estrela da noite, distinguida pela sua simplicidade, interpretou, à entrada, “Mwa Lunga” e “Caminho-de-ferro”, essa a lembrar os seus 19 anos, período em que trabalhou como aprendiz sem salário nos serviços ferroviários.

O evento foi recordações, lágrimas e emoções que não foram escondidas e agradecidas pelo Rei na língua Kimbundu. Das 25 músicas inscritas para o evento, 13 foram ouvidas nas vozes de Paula Daniela (Gingas do Maculusso), fez três duetos com o Rei, Cabaleto, Massoxi (Banda Movimento) e Mister Kim, que interpretaram “Ka-tonhontonho”, “Muimbu Uami”, Leonor, “Kalunga Nguma”, “Kwieku”, “Mu-xima”, “Agostinho Neto”, “Lamento de Mãe”, “Entrudu”, “Xamavo”, “Ua Zuata”, “Lu-imby” e “Un’Gamba”.

O músico Calabeto contou a história da “Leonora”, a fã que deixou de gostar de Elias Dya Kimuezo, por esse ter supostamente ignorado a sua chamada, enquanto passava pela rua. De acordo com o relato do músico, aplaudido da fila da frente pelo governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, assim nasceu “Leonor”, no calor de uma discussão.   
As marcas do desporto praticado na infância também estiveram patentes no palco, levadas pelo vigor que sustenta a longevidade do Rei, antigo velocista do mítico Atlético de Luanda.

Joãozinho Morgado, nas tumbas, Teddy Nsingui (solo), Quintino, (ritmo) e Mias Galheta (baixo) reforçaram o elenco artístico.

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