Artistas cantam em homenagem ao estudante assassinado em Luanda

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Várias individualidades estiveram no dia da homenagem a Inocêncio de Matos. Foto: FG
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Há dois anos que o assassinato do estudante universitário ainda não transitou em julgado. Os familiares não têm qualquer informação das autoridades e os advogados continuam a trabalhar.

Vários artistas de Luanda subiram ao palco esta sexta-feira, 11, no único acto público que homenageou Inocêncio de Matos, no Campo multiuso da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda.

Estudantes universitários, activistas, membros da sociedade civil, académicos, deputados e políticos da oposição sentaram-se na esteira e bancos com a disposição de água que acalmava o sol ardente para assistir os rappers, poetas e amigos que cantaram e lembraram Inocêncio de Matos.

Chamado a abrir o palco pela dupla de apresentadores do evento, José Gomes Hata e Laura Macedo, o músico Alfa Rádio apresentou algumas canções de intervenção social de sua autoria.

Os rappers Mbozo Lima, Hitler Samussuku, Proprio Amoroso Crítico, Wyma Nayobe, Hexplosivo Metal e UCM marcaram as principais actuações do dia que recordou igualmente Kénia Imortal, Carbono Casimiro, Hilbert Ganga, Alves Kamulingue e Isaías Cassule.

Durante a actividade, foi tocada a música “MPLA caiu”, do músico e activista Tanaice Neutro, que encontra-se preso na Hospital Prisão de São Paulo, adjacente ao local do evento.  

Laura Macedo a apontar a arte de Inocêncio de Matos no Mural da Cidadania em Luanda. Foto: DR

“A escolha deste cantinho foi mesmo propositada. Temos um campo no outro lado que me foi mostrado. Mas logo que vi este, escolhi por ser perto do Hospital Prisão”, frisou a activista Laura Macedo, uma das organizadoras do acto de homenagem.

Na mensagem lida pela organização, Alfredo Miguel de Matos, pai de Inocêncio de Matos, lamentou a ausência de investigação sobre o assassinato do seu filho.

Durante o evento, foi apresentado pelos representantes legais do processo (advogados Zola Bambi e Margarida Bernardo), uma síntese dos acontecimentos sobre o acompanhamento do processo sobre a morte do estudante universitário.

Ex-colegas dão testemunho

Quando o estudante universitário Inocêncio de Matos foi assassinado na manifestação de 11 de Novembro de 2020 frequentava o 3º ano do curso de Ciências da Computação na Universidade Agostinho Neto (UAN).

Actualmente no 5º ano do curso de Ciências de Computação na UAN, Manuel Viana, mais conhecido por “J300”, afirmou que teve um relacionamento de dois anos intensivo com o seu ex-colega.

“Inocêncio de Matos é um homem com a determinação de jovem. Neste momento, está a nos ouvir e penso que ele nunca esteve perdido por aquilo que os jovens têm feito para um país melhor”, referiu o estudante da UAN.

Para Daniel Júnior, outro ex-colega, o falecido agora é um ser imortal. “Espero que ele seja tornado um herói nacional quando o país for governo por angolanos que merecem porque Inocêncio de Matos tinha representatividade e coragem”, explicou o jovem, sustentando que são poucos jovens que reivindicam os seus direitos sem câmaras da fama.

Os colegas relataram ainda que as conotações começaram a partir da universidade devido as frequentes reclamações. “Muitos conheceram ele depois da morte. Mas ele já representava a coragem dos jovens na UAN, onde tem os professores maioritariamente do partido no poder”, rematou Júnior, esclarecendo não estar preocupado com as represálias que pode sofrer pelas palavras dedicadas neste dia.

Entre os que marcaram presença podemos destacar o presidente do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, o professor e pesquisador Nelson Pestana “Bonavena”, o deputado Olívio Kulumbo, artistas da Terceira Divisão e do Bairro Nelito Soares.

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