“Estamos num país de cegos”, declara Etona

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Estas declarações foram feitas pelo artista plástico angolano António Tomás Ana, “Etona”, durante a grande entrevista ao Jornal Cultura, divulgado nesta quarta-feira, 25, em Luanda. O órgão de comunicação cultural público é detida pela empresa pública Edições Novembro.

Questionado sobre o que tem feito ao longo dos anos que se encontra desaparecido do meio artístico, Etona esclareceu que não podia avançar ainda nenhum projecto devido o factor surpresa para o seu público.

“Andei com o Patrício Batsikama pelo mundo inteiro para falar do Etonismo e da minha arte e fui outorgado com o título de Word Master, mestre do mundo, fora do pais, mas cá dentro não tive a mesma repercussão que tive fora, então estamos num país de cegos”, declarou o artista é xará do seu então mestre Pedro Etona, numa entrevista em que aborda os desafios da arte angolana e os projectos em carteira.

O artista afirmou que está a preparar a exposição pública que será apresentada nos próximos dias, não avançado ainda as datas certas marcadas. “Como trabalho com material orgânico, depois de ser tratado não pode ser vernizado senão estraga. Então, dá-se um tratamento para continuar a viver a obra como eu quero que essa obra fique em bom espaço”, reforçou o artista plástico, sustentando que nessa primeira fase apresentará apenas duas esculturas, das quais uma sacra e outra que tem o título de serventia, por retratar dois corpos de um casal entrelaçados e tem a mesa por cima.

O artista, condecorado pelo ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, com a medalha da Ordem de Mérito Civil do 1º Grau em Ouro, entende que já fez algumas confusões e não exposições. “No tempo do partido único, fiz uma exposição no Elinga Teatro intitulada ‘Geração Perdida’ e pus crianças numa jaula fechada com cadeado e gasosa com pão à mão”, revela Etona na entrevista intitulada “Não tive a mesma repercussão que tive fora de Angola.”

Questionado se sente-se desvalorizado, Etona negou categoricamente e sustentou ser um jogo. “Isso é um jogo, sinto-me um grande combatente, um sobrevivente desta nação que ainda está a lutar para uma independência filosófica e científica”, rematou o escultor que entende que é um eterno aprendiz.

De referir que aos nove anos de idade, o artista já havia feito um busto em madeira, o que terá chamado a atenção da sua tia com quem vivia no bairro Kitona, Soyo.

Etona nasceu a 22 de Junho de 1961, no município do Soyo, província do Zaire. Depois de 30 anos, em 1991, o artista plástico fez a sua primeira exposição na União Nacional de Artistas Plásticos.

É membro ordinário da Associação Internacional da Estética, da Federação Mundial de Filosofia e efectivo da União dos Artistas Plásticos de Angolanos – UNAP.

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