O Silêncio de muitos na voz de Toto St – Fernando Guelengue

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Toto ST, é o nome artísticoi de Serpião Tomás, um artista que nasceu em Luanda, em 1980. Foto: DR
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O estado de quem se cala ou se abstém da maneira como a sociedade em que faz parte está a ser governada se chama silêncio, entendido por muitos como uma voz poderosa dos esclarecidos. Mas a minha avó Antonica Matamba afirmava que, diante dos momentos difíceis, devemos nos calar, fundamento contrariado por Martha Sil, quando afirmou que, sempre que o silêncio falar e a voz se calar, devemos desistir.

Estas linhas que podem ser melhor percebidas no meu artigo sobre “A arte de entreter versus despertador das massas”, abrindo a chance de não ser repetitivo na minha abordagem, relacionada a importância das duas dimensões que a arte pode apresentar.

Na minha visão, apresentada pela primeira vez no artigo que mencionei acima, os artistas são iluminados pela sabedoria Divina, para o entretenimento e despertar o senso crítico às massas, por meio da liberdade criativa. Uns abandonam o estado da espiritualidade Divina e enveredam para o lugar da escuridão que tem um líder que já foi da luz, como relata a conhecida Sagradas Escrituras.

Depois deste ano e com a continuidade do actual regime político, Angola terá mais três pela frente para ser considerada como o único país do mundo – nos últimos séculos ou na história da humanidade – governado por uma única força política por meio século (50 anos).

Diante do acima exposto, muitos artistas começaram as suas carreiras no mundo da intervenção social e outros, mesmo olhando à dimensão do entretenimento como o seu conforto de criação artística, se posicionam perante as injustiças e atropelos da governação.

Com músicas que revelam a beleza e o quotidiano dos angolanos nos estilos kilapanga, afro jazz, blues, soul e R&B, o artista e produtor angolano Toto St, tem apresentado um posicionamento social crítico que desperta a atenção de vários estudiosos e internautas. Estas reacções que têm sido recorrente nas suas páginas das redes sociais, podem despertar uma certa retaliação por parte dos que governam o país, como aconteceu com vários, particularmente a mais recente acção com o músico e compositor Eduardo Paim.

Assim como revelamos o Matias Damásio como um cabo eleitoral do regime angolano nos vários momentos da história e nas campanhas eleitorais, em artigos de opinião e reportagens, o músico e instrumentista Toto St, autor de vários sucessos como “Não é Marido”, “Dinheiro não é Tudo”, “Todo mundo tem uma História”, “Abre a Porta Tânia”, “Ame ndu ku Sole”, mereceu a nossa atenção no presente artigo.

O artista que assumiu publicamente ser detentor de uma carreira que transcende os interesses comerciais – por acreditar num plano maior – tem estado a dar cartas positivas na internacionalização da sua carreira musical, usando a sua influência reputacional para “dar voz aos milhares de angolanos sem voz”.

Mesmo a acreditar que o público é reflexo da sua educação, numa entrevista a um jornal angolano, Toto St, entende que não se pode colocar todos os angolanos num único pacote.

“Não se engane, a pobreza é uma arma!”, “A desgraça é para as vítimas”, “só num cenário pobre, a música das promessas faz dança”, “Nada vale um ouvido aberto onde a consciência é fechada”, “É o desejo de contar tudo que descontrola tudo”, “você é obrigado por muita coisa que não compreende”, “é mais fácil fazer alguém de inimigo, pois a amizade requer trabalho de aceitação pelas diferenças” e tantas outras citações do músico Toto ST têm revelado o seu compromisso com a liberdade da verdade.

A dimensão deste angolano de luz, é tanta que não cabe num único artigo. Por isso, aconselho os estudiosos e homens de cultura a pesquisar mais sobre a sua capacidade musical e humana, através da sua incrível composição.

E você?

RESILIÊNCIA E FÉ.

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