Jornalistas protestam e criticam perseguição em Angola

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Teixeira Cândido é jornalista e Secretário do Sindicato dos Jornalistas Angolanos. Fotografia de Fernando Guelengue
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Os constantes ataques, roubo de equipamentos, assalto à residência e intimidações aos profissionais da comunicação social são alguns dos fundamentos que juntaram dezena de jornalistas na primeira marcha de repúdio público, ocorrida neste sábado, 17, em Luanda.

Debaixo do sol e com uma combinação de jornalistas dos órgãos públicos e privados, activistas de direitos humanos, estudantes universitários, empresários, deputados e dirigentes de organizações não-governamentais caminharam com palavras de forças que mostravam a gravidade da situação.

Convocada pelo Sindicado dos Jornalistas Angolanos com o lema “quem tem medo da liberdade”, o protesto foi igualmente motivado pela onda de ameaças e assaltos à sede desta organização.

Segundo o responsável do sindicato que representa a classe jornalística, Teixeira Cândido, os assaltos às estruturas do Sindicato dos Jornalistas Angolanos representam uma grave ameaça à liberdade de imprensa.

“É importante deixar claro a todos que os jornalistas decidiram sair hoje às ruas por se sentirem ameaçados no exercício da sua actividade. A sede dos jornalistas angolanos foi assaltada e por três vezes, em menos de um mês, a última das quais, na madrugada desta sexta-feira e de lá roubaram um computador. Em todas essas ocasiões, não se conhece o autor”, frisou o profissional, acrescentando que o Sindicato dos Jornalistas Angolanos não tem dúvidas de que se trata de um ataque à liberdade.

Para o director do Semanário Folha 8, Willian Tonet, não há motivos para perseguir jornalistas, já que a única missão de um profissional da comunicação social é apenas informar.

“Este regime ‘assestou’ contra a liberdade de imprensa, contra o jornalismo, como nunca tinha feito José Eduardo em 38 anos e isso é que nos dói porque combatemos a ditadura de José Eduardo dos Santos”, salientou o também jurista.

Jornalistas presentes na marcha em defesa da classe. Fotografia de Armindo Pereira

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos qualificou o momento como grave e assustador para um Estado que se quer democrático.

A presidente da Comissão da Carteira e Ética, Luisa Rogério lamentou a situação que os jornalistas angolanos estão a enfrentar e garante que deve ser o Estado a proteger os profissionais.

A marcha, que contou com a presença de muitos profissionais , teve agentes da Polícia Nacional que garantiram a ordem e tranquilidade.

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