Luanda acolhe Iª Convenção Geral da Terceira Divisão

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Movimento Hip Hop Terceira Divisão. Foto: DR
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O Movimento Hip Hop de Intervenção “Terceira Divisão” vai realizar no próximo Sábado, 12, a sua primeira Convenção Geral de reestruturação em Associação sem fins lucrativos. O evento terá lugar na sede desta organização, no bairro Eco Campo, no município de Cacuaco, em Luanda.

Sob o lema “Cidadania, Arte e Acção”, o evento visa produzir uma liderança participativa, ampliar a voz dos membros por via da solidariedade activa, contratualizar por meio de regras escritas a relação entre os membros e a sociedade, bem como estimular a participação activa dos membros na vida pública (comunitária).

De acordo com a nota enviada ao Marimba Selutu, a convenção está exclusiva aos membros activos da Terceira Divisão devido as questões estratégicas que serão debatidas, sendo que haverá excepções para alguns convidados que terão qualidade de observadores.

“Com vista a dinamizar o activismo, prometemos nos próximos dias, brindar os nossos estimados compatriotas com uma série de eventos cívicos, académicos e culturais”, sustenta a nota da Terceira Divisão.

Durante a actividade (10 às 16 horas), os presentes irão conhecer melhor o
historial do Movimento, a homenagem ao membro José Pascoal “Mbamby”; apresentação dos Estatutos, discussão e aprovação, apresentação e votação do código de ética, exposição individual, apresentação do perfil dos candidatos, debate entre os candidatos, eleição, apresentação e aprovação do programa, tomada de posse e palavra terão o privilégio de ouvir alguns dos convidados.

Priscila Simão é a presidente da mesa da Convenção Constitutiva da Associação Terceira Divisão, que carrega o slogan “Acção, Reação e Equilíbrio” nas suas comunicações e intervenções musicais.

Com núcleos espalhados em algumas províncias do país e mais de 50 membros efectivos, o Movimento de Hip Hop de Intervenção deu os primeiros passos nos finais da década de 90 ao ano 2000, no Bairro da Boa Esperança, município de Cacuaco, província de Luanda.

O professor, activista de direitos humanos e um dos presos do mediático processo 15+2, José Gomes Hata, “Cheick Hammed Hata”, é o líder-fundador do agrupamento que usa dos elementos mais notáveis da Cultura Hip Hop como o rap, graffite e o break dance, para contestar as desigualdades sociais e políticas que se vive no Distrito Urbano do Kikolo (Cacacuco), em particular, bem como em Angola no geral.

Um dos mais conhecidos activistas que também faz parte da Terceira Divisão é o rapper e politólogo Hitler Samussuku.

Influenciados pelos ideais de “igualdade e liberdade entre os homens”, os activistas usam uma linguagem dura nas suas canções, como sinal de protesto contra a miséria que os angolanos enfrentam. “Tudo por culpa da corja de ladrões do MPLA, que desde 1975, roubam do povo angolano.

No espírito e na letra da carta da União Africana (1963), articulada aos valores do Hip Hop, “Luta infinita de ajuda aos povos oprimidos”, o movimento tem como princípios fundamentais, o respeito pela palavra dada (promessa), a irmandade, como chave mestra de combate a ditadura, a valorização e a promoção de todo tipo de conhecimento (académico, esotérico e empírico), a responsabilização e a prestação de contas, de todo qualquer servidor público (agentes da Polícia Nacional, professor, autarca, governante, magistério superior, juízes etc) e a dignidade e o respeito da Mulher Africana, como fonte da instrução e de Educação do berço.

Fazem ainda parte dos fundamentos, a luta em prol da Mãe Pátria e dos seus valores ancestrais, a destituição do MPLA e o consequente fim da ‘camarilha’ que governa Angola, a protecção de pessoas idosas, como reserva moral e histórica, os cuidados à criança, de modo incondicional e as pessoas, portadoras de qualquer deficiência física ou mental e a divulgação da cultura, da paz e do amor, ainda que na guerra contra o opressor.

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